sábado, 24 de janeiro de 2009

Penso que Mariella era desacreditada por observar as atitudes de quem a rondava. Ela se assustava em saber que traição era uma coisa normal (para ela era uma das piores coisas do mundo). Assustava-se em saber que as pessoas não amavam verdadeiramente as pessoas que escolheram para estar ao lado, para ajudar, compartilhar, dividir momentos bons e ruins. Era desacreditada por não achar ninguém como ela, que se um dia caísse na besteira de amar, se daria por completa!
As pessoas eram tão iguais. Todos olhavam pro seu próprio umbigo, não pensavam no próximo, e Mariella apesar de seu jeito fechado, que algumas pessoas renomeavam frieza, sentia algo bom por algumas (poucas) pessoas. Talvez ela sentisse algo de todo mundo, talvez ela sentisse quem realmente gostasse dela.
Sim, sim! Alguns a consideravam intensamente fria e arrogante. Talvez fosse sua timidez, que atrapalhava Mariella demonstrar suas emoções. Para ela, mais fácil seria demonstrar todas as suas angústias ou sua vontade de gritar bem alto sua insatisfação com todos. Talvez fosse apenas uma fase, era o que todos diziam: “ela irá mudar, olhar para o passado e ver a grande vergonha em que se submeteu!”.
Certamente, como qualquer um, ela realmente iria se envergonhar de certas atitudes, nada muito grandioso! Mariella costumava dizer que não se arrependia do que fazia, mas ela se enganava profundamente com esses dizeres. Mariella não se arrependia do que fazia quando estava certa daquilo, mas em muitas, realmente muitas vezes ela fazia coisas por impulso, ela se sentia melhor com tudo aquilo.
Essa era uma qualidade (ou defeito) que caracterizava Mariella. Na maioria das vezes, ela não se deixava passar vontade alguma, mas dificilmente a vontade era maior que sua timidez. Ela lutava, relutava e lutava mais uma vez, quando via que não havia outro jeito, fazia!
Todas as noites Mariella, sonhava. Ficava abismada quando ouvia de alguém “eu quase nunca sonho”. A coisa mais fascinante era sonhar. Ela poderia ir para qualquer lugar, como qualquer pessoa, em qualquer hora. Na maioria das vezes Mariella era invisível, mas várias delas, Mariella sonhava que dava grandes saltos, ultrapassando as luzes da cidade, caindo com toda força no chão. Isso era assustador, mas ao mesmo tempo viciante, aquele frio na barriga, aquela sensação de liberdade misturada com medo, o melhor sonho repetido.
Na infância, Mariella também tinha um sonho que se repetia: sonhava que entrava por uma árvore em um mundo surreal. Ele tinha etapas. A primeira era o quarto escuro e gigante, onde Mariella devia se desviar dos objetos, até chegar numa fenda de luz. A segunda era em um trem, com apenas um vagão, que não tinha linha reta. Curvas, viradas, de cabeça para baixo! A terceira e última etapa era em uma sala. Havia uma bruxa, que por mais horrenda, Mariella sentia um carinho especial por ela. Na mesa grande de madeira, haviam potes de vidros com várias poções. Mariella acordava e ficava o dia inteiro pensativa. Aquela bruxa era sua única amiga! Mariella tinha algo de Alice.

2 comentários:

  1. Então eu também tenho algo de Alice!
    Diz pra Mariella que eu sou igual a ela. E que a história dela é fascinante.


    Fiz um blog, me favorita aí.

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  2. Olá Mariella!Td bem?Vim conhecer teu blog,vim através do blog 7:11.Menina me identifiquei muito com o teu post até porque falei no meu último post algumas coisas que tu fala aqui também.
    Voltarei sempre!
    Bjos

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