segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mariella não era como as outras garotas. Odiava sandálias de plástico coloridas, ou vestidos cor-de-rosa. Seu guarda-roupas basicamente era composto por calça jeans, blusas pretas ou camisetas e seu All Star encardido e rabiscado com letras de suas músicas preferidas. Odiava maquiagem, a única coisa que utilizava era um lápis preto, que rodeava intensamente seus olhos castanhos (tinha raiva por pensar que poderia ter puxado os olhos azuis de sua bisavó), marcando seu olhar de “garota-má”, como diziam.
Naquela época, Mariella tinha 13 ou 14 anos, e como a maioria dos pré-adolescentes estava em sua fase mais feia. Magra, corpo desproporcional com a cabeça, nada ali era harmonioso. Orgulhava-se apenas de duas coisas nela mesma: não tinha propensão á acne, e seus dentes eram retos e bonitos.
Ah sim! Não posso deixar de comentar o quanto ela nunca estava satisfeita com o que a genética havia lhe proporcionado. Já sonhou em usar óculos de grau, pois achava um charme (mas sua visão estava em perfeito estado). Já sonhou em usar aparelho nos dentes, mas como já nascera com os dentes perfeitamente em seus lugares, frustrou-se. Já sonhou em ter seus cabelos “cacheados como de anjinhos”, sim, seus cabelos eram negros, quase roxos, finos e extremamente lisos nessa época. Mariella enrolava a ponta de seus dedos em seus cabelos, fazendo cachos, que numa tentativa tola, voltavam a cair sobre seus olhos.
Na escola, Mariella tinha facilidade e afinidade com os garotos, talvez por parecer internamente com eles. Falava de carros e futebol, e quando o assunto eram garotas, ficava calada. Não tinha opinião formada sobre aquilo, e nem sequer pensava em algum dia ter. Conhecia apenas o normal, sabia que meninos ficavam com meninas. Nunca houvera imaginado, nem em seus pensamentos mais fantasiosos, que meninas poderiam ficar com outras meninas.
Mariella era um tanto quanto ingênua (Mariella era muito ingênua). Facilmente era passada para trás. Acreditava em qualquer história tola que contavam para seus ouvidos atenciosos. Era totalmente desligada em certos assuntos, apesar do avanço de algumas colegas de classe. Ela sabia que existia o amor, já tinha opinião formada sobre aquilo, mas nem sequer tinha experimentado. Não se interessava pelos assuntos das garotas.
Um dia perguntaram para Mariella se ela sabia o que era ejaculação, ela estufou o peito e disse orgulhosa “é quando um menino faz xixi dentro da menina”. Riram dela. Ela olhou para cima, coçou a cabeça e ficou sem entender. Ela estava errada ou riram dela pelo jeito engraçado de dizer?
As pessoas daquela cidade sentiam certo prazer em ver o mal das outras. Não ficavam receosas em xingá-la de algo que ela nem sabia o significado: sapatinha (no diminutivo, para combinar com seu tamanho ou aumentar o tom de gozação). Mesmo sem saber o que queriam dizer, sentia maldade na voz e na face daquelas pessoas, então ficava constrangida e machucada. Mariella vivia em intensa hemorragia! Não havia tempo para cicatrização, recebia uma facada a cada dia, ou semana, não passava de uma.

3 comentários:

  1. Hahahaha!
    Sapatinha eu ri.
    Eu sei o quanto é foda essa zoação da pivetada. Mas ao invés de sangrar eu batia em todos eles! =D

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  2. Vou passar por aqui mais vezes para conhecer mariella ou tentar isso :D

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  3. Mariella é uma tipica adolescente, se descobrindo, descobrindo a vida, conhecendo a maldade dos outros...

    Adorei o blog, vou passar aqui sempre... obg pela visita no meu blog, será sempre bem vinda..

    bjussssssssss

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